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Hoje quase morri duas vezes

06 de December de 2011, 22h10

Eu atravessava a rua Dr. Fausto Ferraz, pouco depois das 9h30 da manhã, na esquina com a rua Carlos Sampaio. Eu estava na faixa de pedestres, dois carros já estavam corretamente parados para que eu atravessasse a rua. Um terceiro veículo, que eu identificaria depois como uma Ford EcoSport prata, placa ELN 8576, ignora o sinal de “pare”, a própria faixa de pedestres e os carros parados à faixa de pedestres, e ainda invadindo uma área demarcada como ponto de táxi, passando a cerca de um palmo de meu nariz, quase atropelando este que vos escreve.

Fiquei indignado, abri os braços, não lembro se falei algum palavrão, muito menos se o falei em voz alta. Lembro que o motorista que estava parado para que eu atravessasse assistia a cena com um olhar de reprovação à Ford EcoSport. Mas enfim, fazer o quê? Essas coisas acontecem, infelizmente. Passado o susto, notei que o carro que por pouco quase me matara tinha, na porta traseira, o adesivo da campanha Trânsito Gentil. Até ri da ironia, mesmo ainda assustado.

Meia quadra a frente, em virtude do semáforo da Carlos Sampaio com a Cincinato Braga, a Ford EcoSport pára, a luz estava vermelha. Resolvo registrar a ironia, tirando uma foto do adesivo Trânsito Gentil na “arma” que quase me atropelou. Tiro a foto e continuo caminhando na calçada, sem me dar conta de minha inocência. De repente, chega o segundo susto. A mesma Ford EcoSport estava agora a minha frente, metade do veículo sobre a calçada e o motorista saindo e batendo a porta agressivamente. Nesse ponto, já tinha percebido o quão inocente eu havia sido — não se brinca com gente para quem a lei vale menos que a própria pressa ou prepotência. O rapaz, muito mais alto que eu (o que não é difícil, já que tenho somente 168cm), mas também aparentando ser muito mais forte, veio de forma truculenta me ameaçando:

— Tá tirando foto de quê?
— É… do adesivo Trânsito Gentil…
— Apaga isso aí senão eu te quebro!

Essa última frase veio recheada de algumas palavras de baixo calão, e acompanhadas de uma agressividade física que me intimidava e me jogava contra uma parede. Eu só falei, calmamente, que apagaria, mostrando o celular para ele e acompanhando em voz alta tudo o que eu fazia: «olha aqui a foto, cliquei no deletar, confirmei, pronto!». Segui meu caminho. Mas ele não deixava de esbravejar, ameaçar, perguntar se eu realmente achava que ele queria me atropelar. Ignorei o convite à discussão, falei um “bom dia” em um tom mais alto e fui-me, deveras assustado, suando frio, segurando a pressão para que ela não caísse, mas, como disse, segui meu caminho.

Uma quadra e meia a frente novamente a Ford EcoSport pára. Semáforo da Carlos Sampaio com Av. Paulista. Na esquina, quatro policiais militares. Explico o fato, eles dizem que nada podem fazer pois não presenciaram nenhum dos acontecimentos, nem a transgressão à faixa de pedestres, nem as ameaças. Peço apenas que cuidem de mim, pois vou novamente fotografar o carro, dessa vez, buscando somente a placa do veículo mesmo. O PM me instrui a mandar a foto com um relato ao delegado do DETRAN, que poderia tomar alguma providência contra o motorista. A agressão, ficaria apenas na minha memória mesmo — mas isso ele não me disse, eu entendi nas entrelinhas.

Praticamente escoltado por 4 policias militares vou parar na frente do veículo e tiro uma foto bem bonita. O olhar do cara era mais agressivo do que antes, mas seu comportamento era tão manso quando o Papei Noel que enfeita a Av. Paulista algumas quadras a frente. Ele me olhava cheio de ódio, mas a valentia que demonstrara antes havia sumido na presença dos policiais. A expressão era aquela típica do motorista preso no trânsito: ódio à flor da pele, agravado pela incapacidade de fazer algo perante a situação.

Fim da história. Tentei falar com o DETRAN, mas a resposta deles foi: «Sugerimos que registre um Boletim de Ocorrência. O Detran não é órgão fiscalizador de trânsito, o que compete a Prefeitura Municipal e Polícia Militar. Órgãos nas quais sugerimos que encaminhe a questão».

Enfim… Se desse certo, o motorista poderia até ser multado, mas iria recorrer e acabaria não pagando nada, nem perdendo pontos na CNH (afinal, ameaçado do jeito que fui, não parei para pegar nomes e contatos de possíveis testemunhas, o que, ao que me parece, torna o caso fraco). Talvez um segurança da locadora de veículos Unidas, que fica na esquina da Carlos Sampaio com a Cincinato Braga, tenha visto a ameaça, que foi ao lado da entrada lateral da locadora; posso tentar localizá-lo depois… mas é só.

Enfim… é nessa cidade – e em cidades como esse – que vivemos muitos de nós: se um carro não te atropela na faixa de pedestres, você ainda corre o risco do motorista descer e te quebrar. Por enquanto, não posso deixar de pensar que pelo menos estou — fisicamente — bem, mas confesso que o sentimento de indignação me atormenta demais.


Essa é a primeira foto da história. De fato a exclui na presença do motorista, mas depois a recuperei com um desses programas que recuperam fotos apagadas de cartão de memória.


Essa é a segunda foto, tirada tão a frente do carro quanto de quatro PMs.

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